Bleak House "Suspended Animation"

Publicado em: 06/12/2013 - 01:22

Publicado originalmente no blogue themetalnightstalker.blogspot.com.br em 30.09.2013.

Dizem que durante a New Wave of British Heavy Metal mais de mil bandas do estilo surgiram no Reino Unido. Poucas duraram mais de um par de anos. Uma fração ainda menor conseguiu chegar ao vinil. O Bleak House logrou as duas coisas. Ainda assim, não escapou de ser enterrado nas areias do tempo, sendo conhecido, até agora, apenas por meia-dúzia de devotados historiadores do metal britânico.
Segundo reza a história, a banda inglesa foi formada na primeira metade dos anos setenta e, ao longo dos anos, atendeu por diversos nomes, antes de firmar aquele sob o qual registrou um single (em 1980), um ep (em 1982) e um show ao vivo (também em 1980). Todo esse material está reunido nesta interessante compilação editada pela cult gravadora californiana Buried by Time and Dust (http://bbtad.blogspot.com.br) - nome muito apropriado, aliás.
Apesar de ter sido formado já no começo dos setenta, o Bleak House mostra uma sonoridade totalmente N.W.O.B.H.M. dos primórdios. Vale dizer, aquele metal '79, tipo Diamond Head/Saxon, que muitas bandas britânicas seguiam antes do estouro definitivo do Iron Maiden em 81. O instrumental é quase sempre simples, mas muito eficiente, com as músicas sendo amarradas por boas linhas vocais melódicas a cargo de Graham Shaw. É bem verdade que, no material ao vivo, o vocal não ficou muito legal, soando demasiadamente à frente dos instrumentos. Embora Shaw tenha uma voz bacana e marcante, a falta de retoque na produção deixou evidente sua técnica limitada e algumas desafinadas dolorosas surgem no correr das músicas. Sem embargo, no material de estúdio o problema foi corrigido. Além das ótimas melodias, outro ponto forte da banda é o trabalho de baixo desenvolvido por Gez Turner, que soa incrivelmente pesado. De fato, chama a atenção não só suas linhas de baixo, por vezes destacadas da guitarra, mas a incrível distorção que ele consegue tirar das quatro cordas, principalmente ao vivo. Essa particular sonoridade ajuda a imprimir uma densidade mamutesca ao som da banda.
No single de 1980, Rainbow Warrior, o Bleak House, embora decididamente metal, ainda revela vínculo mais estreito com o hard setentista. Vide, por exemplo, a maciça utilização de vozes dobradas. A produção do disco também segue a linha setentista, sendo bem "vazada" e "aberta". Meu destaque vai para a sabbathesca Isandhlwana (http://www.youtube.com/watch?v=g93SLa6kCvg), com seu instrumental caprichado e suas mudanças de tempo bacanas. Já no ep de 1982, Lions in Winter, a banda assume sonoridade mais oitentista e marcial. Ouça-se, por exemplo, a rápida Down to Zero (http://www.youtube.com/watch?v=Gv8rekrX3Sk), movida a marteladas certeiras do batera Roy Reed.
A parte ao vivo, gravada num show realizado após o lançamento do primeiro single, conta com doze músicas. Muitas delas permaneceram sem debutar em vinil. Daí o interesse maior do material. O som do Bleak House soava bem encorpado ao vivo, o que pode ser comprovado pela épica faixa To the Gods (http://www.youtube.com/watch?v=KiXJhxqkJKQ), construída por meio de bases avassaladoras de puro e legítimo metal pesado, cortesia da guitarra carnívora de Bob Bonshor.
Embora não seja do mesmo nível de Holocaust, Cloven Hoof, Diamond Head, Saxon, Blitzkrieg, Aragorn, Chateaux, Tygers of Pan Tang, o Bleak House não é banda para ser desprezada e merece constar da coleção de todo entusiasta da maravilhosa e seminal N.W.O.B.H.M.


Contra-capa da coletânea


Selo do single original de 1980 - total item de colecionador!


PS. A High Roller Records (ainda vou fazer um post especial sobre os lançamentos dessa fabulosa gravadora alemã) lançou também uma versão dupla em vinil do Bleak House parecida com a versão em cd da Buried by Time and Dust, mas com três músicas ao vivo a mais: duas já conhecidas e uma inédita.

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