Carnal Ghoul "The Grotesque Vault"

Publicado em: 24/01/2014 - 14:40

Muitas bandas de death metal sueco old school têm surgido nos últimos tempos. Até uns anos atrás, o rótulo funcionava, praticamente, como garantia de som de qualidade. Com a recente enxurrada de grupos nessa linha, a coisa mudou um pouco de figura. Infelizmente, muitas bandas atuais de swedeath vêm flertando mais do que o devido com melodias. Melodia no metal da morte é algo complicado. Basta lembrar do que se passou na velha cena sueca quando linhas melódicas mais grudentas deixaram de se limitar a eventuais harmonias e solos de guitarra para se infiltrarem nas bases e nos riffs. Assim surgiu o lamentável “death” metal alegrinho de Gotemburgo. 
Para nossa sorte, o Carnal Ghoul, banda alemã formada em 1998 em Nuremberg, passa longe daquela farofagem e investe fundo no som death/crust clássico e puro de Estocolmo. Evidentemente, Nihilist, Entombed, Dismember e Carnage são referências óbvias dos caras. Contudo, não se cuida aqui de chupação descarada – o que, por vezes, sucede com bandas que desejam apenas executar, fanaticamente, certo paradigma musical. Não. O Carnal Ghoul consegue criar metal da morte tradicional, decididamente tributário da escola sueca, sem inventar, mas sem cair no plágio. Para uma banda que se propõe, com sinceridade, a replicar fielmente um modelo, é tudo o que se pode pedir.
As quatro faixas que compõem esse ep são muito boas e oferecem o pacote completinho para o deleite do fã de death metal nórdico: vocal gutural, cordas “engorduradas” (tipicamente Sunlight Studios), reverberadas e com afinação baixíssima, módicas e climáticas harmonias de guitarra, solos limpos a la Dismember, bateria densa e com sonoridade cheia, andamentos predominantemente meio-tempo, com abertura para segmentos mais doom e outros de total speed. Os destaques vão para a faixa título, que começa numa levada d-beat empolgante, na linha do velho Master, para depois emendar uma parte headbanging de estourar os miolos, e para Unleash the Forsaken, dotada de uma introdução cadenciada em trêmolo (totalmente mórbida e pesada) e de um fechamento climático, que não soa de modo algum meloso. Ouça aqui um sample com trechos do ep. Nota curiosa: a bateria, tocada, aliás, de forma muito competente, ficou a cargo de Tormentor, responsável pelas baquetas na conhecida banda de thrash/black metal alemã Desaster.
Talvez o único ponto digno de reparos seja o vocal. Não chega a ser ruim, mas peca por ser demasiadamente genérico e por soar um pouco artificial. Mas isso é apenas um detalhe, passível de correção no futuro.
Lançado na Europa em vinil pelo cult selo alemão High Roller Records, em tape pela Coffin Filth e em cd pela Remission, The Grotesque Vault foi também lançado – para mim, de forma surpreendente – em mídia digital no Brasil, via Mutilation Records.
Um dos melhores registros de real death metal sueco old school dos últimos tempos.


Carnal Ghoul - nice Running Wild Tshirt!

12/02/2014 - 12:08
Engel

Gostei do texto!

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