Clandestine Blaze "Harmony of Struggle"

Publicado em: 22/01/2014 - 17:49

A one-man band finlandesa Clandestine Blaze é nome já conhecido no cenário black metal. Desde 1998, ano de sua fundação, lançou sete full lenghts, inúmeras demos e splits (as demos e os splits foram recentemente reunidos em uma imperdível compilação tripla), conseguindo a proeza de não haver editado um único trabalho ruim.
Harmony of Struggle é seu último lp. Lançado no ano passado (2013) pela famosa e cultuada gravadora Northern Heritage (selo especializado em black metal e cujo proprietário, Mikko Aspa, é precisamente o mastermind do Clandestine Blaze), o play revela que os muitos anos na ativa não foram capazes de mudar nem amaciar o som da banda, como sucedeu, infelizmente, a diversas formações antigas do black metal nórdico. A banda continua fiel à sua proposta original de executar um black metal raiz de cepa noventista, agudo, ríspido, frio, emocional e minimalista, na mais pura tradição daquelas paragens setentrionais. Com exceção da produção, que, nesse full, está um pouco mais polida, ao menos em comparação, por exemplo, com a sonoridade mais “necro” de seu debut, o clássico Fire Burns in our Hearts (1999), tudo está como sempre foi. Ainda bem.
Todas as faixas têm qualidade, fato que a competente produção somente valorizou, havendo-as deixado com aquela atraente sonoridade densa e estridente tão característica do black norueguês noventista. De se ressaltar, entretanto, que essa opção estética pela estridência não resultou no erro comum da eliminação do peso. De fato, a sonoridade é aguda, mas o peso – tão necessário ao metal – continua lá.
Boas composições de guitarras, normalmente movidas a trêmolos, somam-se a vocais intensos e rasgados e a uma bateria reta, discreta mas eficiente, para construir um clima áspero e sombrio. Dark Throne, Burzum e um pouco de Immortal (quanto a Burzum e Immortal, ouça-se a excelente Autumn of Blood and Steel) são as referências mais evidentes. Principalmente Dark Throne, como se pode conferir nas guitarras, por exemplo, de Wings of the Archangel e nas da melhor música do play, a rápida White Corpse. Nessa última faixa em particular a dívida do Clandestine Blaze com a banda de Fenriz e Nocturno Culto, de seus primeiros trabalhos black metal, fica bem evidente. Contudo, mesmo aqui Mikko Aspa teve talento suficiente para não soar como um imitador. A música lembra Dark Throne, mas não tenta ser Dark Throne.
Diria até que certa atmosfera mais depressiva, própria das banda modernas do chamado suicide black metal, insinua-se no som do Clandestine Blaze em Harmony of Struggle. Contudo, essas influências não são exageradas, tendo sido muito bem administradas. Ficam, portanto, muito longe de conferir aquele desagradável ar simplório, de “adolescente em crise existencial”, ao som da banda, infelizmente comum em grupos daquele subestilo do black metal.
Só para constar, uma ou outra parte meio narrada, meio sussurrada, me pareceram desnecessárias. De outro lado, senti falta de um baixo um pouco mais criativo e em evidência. Mas a verdade é que o instrumento, em regra, nunca foi central no black metal noventista.
Há poucos momentos headbanging no disco, já que a proposta do Clandestine Blaze, como sói acontecer em bandas rápidas de norse black metal, privilegia a contemplação em detrimento da reação. Um desses momentos é encontrado em Messiah for the Dying World, no fim da qual irrompe uma cadência a la Celtic Frost capaz de arrancar a cabeça do ouvinte.
Outro ótimo disco de uma das bandas mais consistente do, e mais fiéis ao, raw black metal noventista.


Mikko Aspa


Logo da cult gravadora finlandesa de propriedade do Mikko Aspa

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