Coffinborn "Beneath the Cemetery"

Publicado em: 12/12/2014 - 00:17

Conheço pouquíssimo da cena húngara. Além do Tormentor, banda original de Attila Csihar, responsável, como todos sabem, pelos vocais no definitivo De Mysteriis Dom Sathanas, do norueguês Mayhem, tenho dificuldade de me recordar de qualquer outra banda daquele país. Minto! Acabei de lembrar uma demo-tape obscura que tenho na coleção. Demo de um tal Necrosodomy. Curiosamente, o guitarrista e vocalista do Necrosodomy, o simpático Disguster, também faz parte do trio Coffinborn, cumprindo exatamente as mesmas funções.
Bom, e o que temos aqui? Death metal da velha escola, sem invencionices e direto ao ponto. Nada de blast beats de brutal death metal, composições firulentas, afinações exageradamente baixas nem produção limpa ou “necro”. Pense em formações clássicas tipo Massacre, Asphyx (principalmente), Benediction, Master e Autopsy. O som é por aí. Tradicional até o osso, decerto. Porém, o Coffinborn não chega a ser descaradamente retrô, como algumas bandas atuais de swedeath ou outras, ainda, que são verdadeiros tributos ao Incantation.
O play Beneath the Cemetery, lançado neste ano de 2014 pela gravadora espanhola Xtreem Music, é um ep de pouco mais de vinte minutos. As quatro faixas que constam do trabalho são bem bacanas.
Enter the Nightmares of Horror abre o play com uma levada meio-tempo de maltratar o pescoço, depois descamba para uma parte mais sincopada meio Autopsy, retomando a levada do início para concluir em seguida. Já em Beneath the Cemetery, faixa que dá nome ao play, a levada meio-tempo ressurge. Em determinados momentos, acompanhada de tradicionalíssimo e eficiente riff tremulado a la Death/Massacre. Putrid Stench of Death, a melhor do play, é a próxima. Aqui a banda começa tirando o pé do acelerador, engata uma marcha forte e lenta e manda ver numa ótima composição doomística que lembra muito aqueles lances arrastados do Asphyx, inclusive com a presença de uma harmonia gélida e tristonha de guitarra. Do meio para o fim a coisa fica mais rápida (mas não rápida demais), para depois desacelerar de novo e encerrar com o mesmo doom do início. A última música é Corpse Collector. Cuida-se da faixa com os riffs mais agitados do play. Também é a única em que a batida meio-tempo, velocidade máxima da banda por quase todo o ep, dá lugar a um curto trecho mais veloz. Destaque para a bem feita transição, pelo meio da música, para um doom mórbido, que me lembrou do Autopsy e até de alguma coisa de death sueco de raiz.
Não seria descabido criticar o estilo meio formuláico do Coffinborn nesse ep. Afinal, com exceção de Putrid Stench of Death, as faixas seguem o mesmo padrão meio-tempo X doom X meio-tempo. A mim não aborreceu. Porém, pequena dose de variação, mesmo em se tratando de banda ultra-ortodoxa de death old school, certamente seria bem-vinda. Há espaço para o Coffinborn crescer num futuro full lenght. De todo modo, o que se ouve aqui já é bem interessante e deve agradar aos apreciadores do velho e honesto metal da morte das antigas.


Death metal from the grave!


Inspirações sepulcrais...

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