Death Vomit + Uttertomb "Coagulation of Pest"

Publicado em: 22/07/2014 - 23:30

Meu amigo, o Chile realmente não para! Mais dois ótimos nomes já podem ser acrescidos à promissora lista de novas bandas de metal extremo vindas lá dos lados do Pacífico Sul. Lançado no ano passado (2013) pela gravadora e distribuidora chilena Veins Full of Wrath, selo de recente fundação e que já se notabiliza pela elevada qualidade de seus títulos, o split Coagulation of Pest nos apresenta duas bandas de Santiago que trilham orgulhosas a ortodoxia do metal da morte.
O quarteto Death Vomit detona um death old school extremamente cavernoso, majoritariamente meio-tempo, de ótimos vocais densos e guturais. As composições são simples e tendem a ser curtas, sem grandes variações de movimentos, situando-se num meio caminho entre a velha escola americana de um Sadistic Intent/Immolation e a escola sueca clássica de um Carbonized/Nihilist. Ou seja, som críptico e que prima pelo peso, com guitarras super gordas e mergulhadas em afinação baixa. Como é nota nesse tipo de som (diferentemente do que ocorre, por exemplo, com um Cannibal Corpse ou um Mortician) os riffs apresentam alguma dose de melodia. Mas melodias sempre negras, a evocar climas odiosos de horror. São apenas três faixas e uma intro, das quais destaco Ashes of Necromancy, com seus riffs excelentes e totalmente mórbidos, exemplo perfeito da união entre a escola americana (do death negro não refratário à melodia) e a sueca. Dada a evidente categoria da banda, nem bem o split era lançado e o Death Vomit já firmava contrato com a espanhola Xtreem Music para a gravação do seu debut full lenght. O petardo, batizado de Gutted by Horrors, acabou de sair do forno (neste primeiro de julho último) e já pode ser comprado diretamente pelo sítio eletrônico da mencionada gravadora. Obrigação de todo deathbanger atento a novas promessas! Um adendo: o baixista da banda, Tom Hill, é figura conhecida na cena, sendo responsável pelo mesmo instrumento na já veterana banda de black/thrash chilena Ammit.
A outra metade do split ficou a cargo do Uttertomb. A proposta, entretanto, é mais ou menos a mesma. Em relação ao Death Vomit, diria que o Uttertomb é mais americano, embora tenha suas influências nórdicas, e um pouco mais brutal, agregando elementos de Incantation ao seu som. É também mais variado, mesclando frequentemente no curso das músicas partes rápidas (blast beats), doom e levadas meio-tempo. Os riffs, por vezes, são mais elaborados, na linha antiga do Morbid Angel, com algumas progressões diferentes que dão um ar mais complexo à música. Porém nada exagerado. O negócio aqui também é absurdamente casca-grossa e sinistro. A produção, em geral, é bem semelhante à utilizada pelo Death Vomit, com uma vantagem importante relativa à mixagem: aqui dá para perceber legal a presença das duas guitarras bases. Das três boas faixas do play, minha preferida é Obnoxious Crypt Fumes, peça de música mamutesca repleta de feeling e que conta com uma harmonia desolada de guitarra que me fez lembrar da maior banda de death metal (em minha humilde opinião) da Finlândia, o ultracult Abhorrence. NOTA: como não achei um link para essa faixa, segue aí o de Bless the Pest. Confesso que o primitivismo do Death Vomit agrada-me mais. Contudo, o Uttertomb, igualmente, é banda de altíssimo nível e que não deve tardar a lançar seu primeiro full lenght.


Death Vomit


Uttertomb

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