Embalmer - "The Collection of Carnage"

Publicado em: 09/12/2013 - 13:15

Publicado originalmente no blogue themetalnightstalker.blogspot.com.br em 07.06.2013.

Durante a explosão do death metal no princípio da década de noventa, a cena metálica mundial foi inundada por demos e eps de bandas que depois jamais conseguiram chegar a um full lenght. Muitas dessas bandas tinham extrema qualidade e não vingaram por fatores alheios ao mérito musical. Os fãs que se dedicavam a colecionar material desses grupos obscuros tinham lá seus favoritos. Um dos meus era o americano Embalmer.
Lembro de ter tido a felicidade de ouvir seu clássico ep There Was Blood Everywhere em meados dos noventa, então lançado pela Relapse. Na ocasião pensei que a banda poderia ter facilmente feito mais sucesso, porque sua música era excelente. Um death metal original, com vocais variados e desesperados (principalmente quando a cargo do segundo vocalista, Rick Fleming), riffs criativos, doses adequadas de melodias macabras, passagens cadenciadas realmente doentias e uma cozinha pra lá de nervosa (o batera, em especial, era insano). Tais eram as características do som do Embalmer no referido ep. Traços de Macabre (em alguns riffs e nos vocais gritados), Deceased do primeiro lp (nos andamentos criativos), Autopsy (nas partes mais doom) e Cannibal Corpse (pelo clima e temática totalmente gore) podiam ser identificados na música. Mas são apenas referências, já que o som do Embalmer tinha muita personalidade. Confira-se, por exemplo, a ótima e tétrica May the Wounds Bleed Forever (http://www.youtube.com/watch?v=bybrnIC0ozI&hd=1), faixa do ep de 95.
No disco 1 desta compilação, editada pelo atuante selo americano especializado em brutal death metal Sevared Records, temos, além do ep, as três demos anteriores da banda: Into the Oven (de 91), Taxidermist (live demo de 92) e Rotting Remains (de 93), bem como uma faixa inédita gravada em 92. Todas as demos são muito boas e mostram que o Embalmer progressivamente radicalizou seu som, incorporando influências de brutal death metal, bem evidentes na última demo - note-se, por exemplo, os típicos pig squeals do vocalista em Bone Box (http://www.youtube.com/watch?v=-Ghk6je63HE&hd=1), faixa da mencionada demo de 93.
No disco 2 temos o material da banda gravado depois de seu retorno à ativa, com uma formação quase inteiramente nova, em 2004. Foram perto de dez anos de ausência da cena. No full lenght 13 Faces of Death a migração do Embalmer do old school death metal para o brutal death metal se completa. Na mesma toada há, ainda, duas promos, gravadas em 2009 e 2012. Não diria que a fase mais atual do Embalmer seja ruim. Porém, para o meu gosto, o material antigo é indiscutivelmente superior. Reconheço, entretanto, que o brutal death metal puro não está entre meus estilos prediletos.
Uma coletânea muito relevante, especialmente pelo disco 1, de uma das bandas "desconhecidas" mais legais do death metal noventista.


O clássico ep de 1995

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