Entrevista com Eduardo Beherit, produtor do festival Brazilian Ritual

Publicado em: 10/11/2013 - 14:57

Publicado originalmente no blogue themetalnightstalker.blogspot.com.br em 17.07.2013.

Nesses mais de vinte anos que venho frequentando shows de metal, já vi muita bagunça acontecer. Seja provocada por incompetência, desonestidade ou uma mistura explosiva das duas coisas, a origem das confusões, normalmente, pode ser traçada até uma má produção do evento.
Já vi um show ser cancelado, com a banda pronta para entrar no palco, porque o bilheteiro deixou um monte de gente entrar na casa pagando uma fração do ingresso. Vi uma banda headliner prensar o produtor num canto, minutos antes do seu show, a exigir o pagamento do cachê, sob a ameaça de não tocar. Já vi uma que cumpriu essa promessa e simplesmente picou a mula. Vi um produtor dar no pé com o dinheiro da bilheteria e deixar o público na mão na porta da casa de show. Vi gente vendendo ingresso clandestinamente fora da bilheteria, porque, lá dentro, um oficial de justiça cumpria ordem judicial de penhorar toda a renda do evento.
O público, quase sempre com acerto, põe a culpa na conta exclusiva da produção. Mas há também outro lado nessa história. O lado dos produtores que, muitas vezes até perdendo dinheiro, assumem a promoção de shows simplesmente porque são fãs das bandas ou porque são comprometidos com a cena. Um dos candidatos a entrar nessa última categoria é o produtor do “Brazilian Ritual”, o batalhador Eduardo Beherit. Sua iniciativa absolutamente inédita trouxe para o Brasil bandas líderes do cenário death/black metal mundial que nunca antes haviam tocado por aqui, como o finlandês Archgoat e o americano Black Witchery. E a promessa é de que a coisa não vai ficar por aí. Já para a próxima edição do festival, anuncia-se a presença do devastador Revenge e da lenda do war black metal Blasphemy, ambas do Canadá. Em uma rápida entrevista concedida pouco antes do início dos shows, Eduardo nos contou, entre outras coisas, o que o motiva a produzir o evento e o que pretende alcançar com ele. Confiram!

1) Como foi o desafio de fazer o “Brazilian Ritual”?

Eduardo Beherit – “Infelizmente, promover festivais aqui no Brasil é muito caro e trabalhoso. Gasta-se muito dinheiro. Quando eu trouxe o Tyrant’s Blood (do Canadá), na primeira edição do ‘Brazilian Ritual’, o ‘First Attack’, tive um prejuízo enorme. Também estou tendo prejuízo agora, com o ‘Second Attack’. Mas é normal. Nunca viso a ganhar nada, nem um centavo.”

2) O que você espera alcançar com o festival? Qual seu objetivo?

Eduardo Beherit – “Fazia já uns quinze anos que eu queria trazer para o Brasil certas bandas internacionais. Bandas que defendem lá fora a cena black metal com bravura. Conheço os caras do Archgoat e do Black Witchery há vinte e cinco anos. Eles sempre tiveram vontade de tocar no Brasil, de conhecer bandas como o Sarcófago. Trazê-los para cá é uma tentativa de recuperar aquela união black metal que tínhamos lá por 1988/89. Éramos muito mais unidos. Hoje vejo muita banda brigando por diferentes ideologias. Estou dando minha contribuição para tornar a cena black metal brasileira, principalmente a de São Paulo, que é muito forte, mais unida. É para isso que tenho trazido essas bandas de fora, que são grandes influências de bandas brasileiras, tanto mais antigas como mais novas. Quero mostrar a força da nossa cena e tentar reanimar a união black metal que tínhamos há vinte, vinte e cinco anos, e que hoje não temos mais. Enquanto eu puder, vou continuar com meu projeto, para fortalecer essa união em São Paulo e mostrar que o Brasil ainda é o país do black metal.”

3) Como você vê a reação do público? É positiva?

Eduardo Beherit – “Muitos dizem que eu luto por uma causa perdida. Mas, na verdade, acho que está dando certo. Muita gente que tem inimizade recíproca estará presente aqui, hoje, nos shows e todos garantiram que não haverá confusão, que respeitarão o evento. Fazer um som underground em São Paulo é muito difícil. Tem muita gente radical e metida em treta. Para mim, esse negócio de treta, de querer ser melhor do que os outros, é passado. Temos de nos unir de novo e mostrar para o Brasil a força que a gente tem. Essa é a mensagem do ‘Brazilian Ritual’.”

4) A próxima edição do festival, o “Third Attack”, já tem data marcada, certo?

Eduardo Beherit – “Sim, hoje eu vou anunciá-la. Será realizada no dia nove de novembro (deste ano de 2013). As bandas já confirmadas são o Blasphemy e o Revenge (ambas do Canadá) e o Bestymator (do Brasil). Todas são bandas respeitadas na cena.”

5) O festival sempre contará com bandas nessa linha mais radical do black metal?

Eduardo Beherit – “Com certeza. O meu objetivo é trazer bandas que agreguem valor para o black metal mundial e não bandas que fazem som só para vender cds.”

6) Você me disse anteriormente que o festival tem prazo para terminar. Como é isso?

Eduardo Beherit – “A minha ideia é fazer o ‘Third Attack’ agora dia nove de novembro. Depois vou esperar um pouco, já que tem muita banda de fora querendo vir para o Brasil. Farei então mais uma ou duas edições e, aí, quero fazer o ‘Final Attack’, com a participação de uma banda de cada edição passada do festival. Esse será o fechamento do ‘Brazilian Ritual’.”


Cartaz da próxima edição do "Brazilian Ritual"
(notem que o Goatpenis já está confirmado!)

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