Expose your Hate "Indoctrination of Hate"

Publicado em: 26/04/2014 - 01:42

O amigo Fernando Camacho, proprietário do selo Black Hole Productions, enviou-me o novo cd do Expose your Hate para resenha. Confesso que, embora já tivesse ouvido falar dela, nunca antes tinha ouvido a banda. Pior para mim, pois o som dos caras é muito bom.
Lançado neste ano de 2014, Indoctrination of Hate é o segundo full lenght dos potiguares. Da formação que gravou o debut, lançado nos idos de 2005, sobraram apenas Cláudio Slayer, no baixo, e Luiz Cláudio (aka Luzdeth Lott), nos vocais. O que se ouve aqui é um grind competente, variado, bem caído para o death metal, com muitas mudanças de andamentos e de riffs no curso da mesma música (que, ao contrário do usual no estilo, tende a não ser tão curta). As partes de guitarra, executadas pela dupla Flávio França e Paulo Death, em especial, são muito legais, exibindo fraseados que, além do grind, bebem na fonte do puro death old school, do black metal moderno e, como não poderia deixar de ser, também na do velho punk/hardcore.
Aliás, essa tem sido uma tendência forte em bandas de grind atuais: assumir influências vindas de diversos estilos do metal extremo. Com efeito, noto que o minimalismo da velha escola, em alguma medida, vai dando lugar, em muitas bandas modernas do estilo, a um interessante “maximalismo” musical. Talvez os grinders mais puristas vejam o fenômeno com desconfiança, mas é inegável que a dinâmica do som das bandas que investem nessa linha cresce muito.
Voltando ao disco, os vocais, a cargo de Luzdeth Lott, atual frontman do Sanctifier, lendária banda de death metal do Rio Grande do Norte, são majoritariamente graves e guturais, com algumas incursões em agudos gritados. Clássicos e sem inovações, cumprem seu papel a contento.
Embora o Expose your Hate seja um conjunto de óbvia raiz grind, na mixagem foi dada mais importância às guitarras do que à bateria, o que ressaltou essa veia mais metal da banda. Igualmente o baixo, menos carregado de efeitos e mais discernível, corrobora essa opção dos potiguares por uma sonoridade metálica. Vale fazer aqui um adendo: não sei se a bateria, tocada por Marcelo Costa, também do Sanctifier, está ou não trigada (muitas vezes é difícil saber ao certo), mas soa como se estivesse. Bem entendido, soa com aquela famosa batida mais seca e estridente - aqui principalmente nas caixas. Talvez tenha sido opção deliberada para soarem mais contemporâneos. De minha parte, confesso que prefiro sonoridades mais densas de batera. Reconheço, entretanto, que a timbragem escolhida casou bem com a proposta do disco.
Deceived in Faith, com sua bacana citação – ali pela metade - a Cannibal Corpse, Spreading Holy Violence, que irrompe com uma surpreendente levada à Impaled Nazarene da fase mais hardcore, e a ótima faixa de abertura Ready to Explode (não, não é um cover do Vulcano...) são músicas que logo grudam na cabeça do ouvinte. Sem embargo, o disco todo é realmente muito bom e se deixa ouvir facilmente, abundando, em todas as faixas, sem exceção, eficientes passagens death metal e hardcore, no estilo das já mencionadas. Aliás, é admirável a capacidade da banda, num estilo assim tão porrada, em dar uma cara própria a cada uma das músicas, que soam distintas umas das outras. O grupo não se furta nem a incluir, em doses homeopáticas, curtos trechos mais melódicos, como se ouve em When We Destroy to Create ou no segundo riff de Money Power Control.
Enfim, um disco dinâmico, profissional, bem composto e bem tocado, embalado numa sonoridade clara e moderna (mas, felizmente, não “modernosa”).
Juntamente com os cearenses do Facada e os mineiros do fantástico Expurgo, ambos também do cast da Black Hole Productions, o Expose your Hate firma-se, nesse disco, como um dos maiores nomes da atual cena death/grind brasileira.


Expose your Hate - death/grind brasileiro de ponta!

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