Imperador Belial "Morbid Rites"

Publicado em: 20/01/2014 - 23:12

É incrível como o Rio de Janeiro não para de gestar boas bandas de black/speed/death metal. O clube formado por Hellkomander, Sodomizer, Diabolic Force, Grave Desecrator e pelo veterano Apokalyptic Raids acaba de ganhar um novo membro. Trata-se do Imperador Belial, de São Gonçalo. A banda, na verdade, não é nova. Formada em 1998, já lançou cinco demos e um ep, mas somente agora, neste ano de 2013, chega ao seu full lenght de estreia. E que puta registro!
Morbid Rites é tudo o que se pode esperar de uma banda que reverencia o metal oitentista: gravação orgânica, bateria densa, andamentos variados, que oscilam entre o total speed (mas nunca o grind) e outros mais cadenciados, riferama calcada nos consagrados power-chords e sem abusos de afinação, solos faiscantes mas longe de exageros técnicos, vocais encapetados, mas não completamente rasgados nem guturais. Antes do que pelo thrash, o Imperador Belial segue pelos caminhos do clássico speed metal europeu, com muita influência de Celtic Frost (ouça-se, por exemplo, Tales from Beyond the Grave e Journey Back to Hell) e até Running Wild dos dois primeiros discos (confira-se, a esse propósito, a empolgante faixa de abertura Lustful Sin).
Embora o som da banda seja inegavelmente conservador, não diria que estamos diante de uma formação totalmente retrô oitentista. Em doses moderadas, dá para sacar elementos mais modernos no som dos caras. De fato, alguns riffs, como em Black Alcoholic Vomit e Visions of a Dark Age, lembram coisas de black/death sueco, do tipo que bandas como o Dissection e o Swordmaster faziam pelo fim dos noventa. Diria que a proposta do Imperador Belial está bem próxima à do grande Nifelheim, também da Suécia. Sem embargo, o som dos cariocas, no meu modo de ver, é até mais variado, principalmente quando eles investem, com ótimos resultados, em partes mais cadenciadas.
Todos os elementos da música funcionam muito bem em conjunto, sendo difícil isolar pontos em especial. Vale, entretanto, ressaltar os excelentes riffs, que conseguem a proeza de soarem tradicionais sem darem a impressão de que são requentados; para os marcantes vocais, vomitados e endiabrados na medida certa, mantendo-se naquela vibe híbrida totalmente oitentista, antes que a ortodoxia noventista viesse a confinar a estridência ao black e a guturalidade ao death; para a sonoridade da bateria, tão importante para conferir uma atmosfera “das antigas” à gravação; e para as bacanas linhas de baixo, que, por vezes, até tomam a frente da música, como na faixa título do disco, toda construída sobre uma sinuosa levada do instrumento.
Grande parte do material constante de Morbid Rites já fora apresentado em demos anteriores da banda. Os anos de ensaio aperfeiçoando as músicas foram muito bem-vindos, pois as deixaram redondinhas e muito bem arranjadas. Arrisco dizer que o Imperador Belial é uma das formações mais promissoras da atual cena do Rio e, também, do Brasil. Embora seja evidentemente prematuro, confesso que estou desde já na fissura para ouvir um novo álbum da banda, agora só com inéditas. Se a qualidade do que se ouve nesse ótimo fulll lenght de estreia for mantida, será a senha para o Imperador Belial ousar voos mais audaciosos, inclusive no disputado mercado internacional.


A atual formação em quarteto

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