Incinerador "Enterrado Vivo" + Sortilégio "O Exilado"

Publicado em: 22/12/2014 - 20:00

Recebi dois cds promocionais, enviados pelo Marconi Oliveira, baixista do grupo rondoniense Incinerador. Seguem as impressões do Caçador da Noite sobre o material:


Incinerador – Enterrado Vivo

Cidade de Porto Velho, Rondônia. Ano, 2004. Marconi Oliveira, baixo, Iagê Donato, bateria, e Domingos Prestes, guitarra e vocal, formam o Incinerador. Três anos depois, surge a demo Exterminando os Ciclos da Hipocrisia, época em que a banda contava com um vocalista solo. Finalmente, em 2011, é registrado, no formato power trio, o full lenght de estreia, Enterrado Vivo. O que se ouve nesse play é um metal competente, que transita entre o deaththrash e o death metal americano old school. Faixas como Guerra Suja, Decapitado, Invisíveis Forças do Mal e Vomitando Vermes Vivos mostram a faceta mais híbrida da banda (death + thrash), ao passo que Vítimas do Terror, Enterrado Vivo e Pilhas de Corpos, o lado mais puramente death dos caras. Quando o Incinerador investe nesse death mais puro, Cannibal Corpse é a principal referência, quase um modelo, seja nos riffs secos e nervosos de guitarra, no baixão criativo e bem marcado ou nas frequentes levadas quadradas (4X4) do batera. O vocal também tem algo de Chris Barnes, embora não seja uma cópia. Vale citar a bela introdução, totalmente heavy metal. Com já deu para perceber, apesar dos muitos anos de estrada, a banda ainda apresenta certa indefinição musical. Talvez seja proposital. Ainda que as faixas death metal sejam boas, os caras mostram mais personalidade – e relevância – quando investem no deaththrash. Minha cópia é um cdr promocional, mas o disco, ao que parece, foi lançado em cd profissional pela Lux Ferre Productions.


Sortilégio – O Exilado

Nessa longa demo cdr, lançada de forma independente nos fins de 2009, o quinteto rondoniense Sortilégio leva um black metal com muitos elementos sinfônicos, melódico e fortemente influenciado por heavy metal. As músicas são bem compostas e executadas, com destaque para as competentes harmonias de guitarras. Em regra, o andamento é cadenciado, com alguns raros momentos mais acelerados (mesmo quando ocorrem, não são nada verdadeiramente rápidos) aqui e ali. Confira-se a faixa Cruz em Chamas. O vocalista, Camarão Rotten (?), canta em português e cumpre a contento seu papel, não caindo no erro comum de exagerar nos agudos - opção que não casa bem com um black mais melódico, como o feito pela banda. A sonoridade é “fria”, na linha dos conjuntos sinfônicos nórdicos, característica ressaltada pela timbragem elegante do teclado. Aliás, de se ressaltar o bom gosto da tecladista, Ester. A par de ter sido feliz na escolha dos timbres, teve o discernimento de não competir com as guitarras, evitando soterrá-las sob onipresentes montanhas de sintetizadores. A banda lembrou-me um pouco o Old Man’s Child, embora os rondonienses sejam menos rebuscados do que os noruegueses. Obviamente, não se trata de nada muito radical. Boa banda para quem curte um black metal limpo e com teclados.

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