Invader "Children of War"

Publicado em: 08/12/2013 - 02:07

Publicado originalmente no blogue themetalnightstalker.blogspot.com.br em 07.08.2013.

Death, black, war black metal, splatter. Metal extremo. Ok.
Contudo, dando rápida passada de olhos nos posts anteriores, notei que a descrição deste blogue parece não entregar tudo o que promete. Afinal, cadê o metal clássico das antigas? Pois bem. Vou agora resgatar parcialmente minha dívida. Falarei sobre uma banda hoje quase totalmente esquecida (mas muito legal!) pertencente a um dos estilos mais fantásticos da gloriosa história do metal: o heavy/speed metal oitentista.
O nome Invader decerto não é mencionado entre os grupos mais importantes da velha e superpovoada cena alemã. Quando seu disco de estreia, Children of War, foi gravado, em fins de 1985, o heavy metal clássico já estava em franco declínio, ao menos junto à massa mais nova e furiosa de headbangers. De fato, o frescor, a crueza e a velocidade insana das insurgentes bandas de thrash e black metal - epitomados, na antiga Alemanha Ocidental, pelo maldito trio de ferro Destruction/Sodom/Kreator - haviam deixado o heavy mais ortodoxo com um semblante envelhecido.
A resposta da corrente mais conservadora a esse boom do thrash metal foi, em parte, acelerar, ela também, o tempo da sua música, inserindo bumbos duplos e palhetadas mais "fritadas", com a manutenção, porém, de altas doses de melodia, tanto nos fraseados de guitarra quanto nas linhas vocais, seguindo e defendendo a tradição do heavy metal clássico. Essa reação (depois transformada numa paródia ridícula nas décadas seguintes), por alguns denominada, naquela época, de power metal, gerou frutos excelentes. Como ilustração mencionem-se o antigo Helloween (fase com Kai Hansen), na Alemanha, Agent Steel e Omen, nos EUA, e Viper (do primeiro disco), no Brasil.
Sem embargo, esmagadas entre uma tendência (do thrash) e outra (do power), muita bandas ficaram pelo caminho. Não eram duras o suficiente para entrarem na cena thrash nem tão melódicas para serem aceitas na do power. Esse foi o caso do nosso Invader. Sua música, para bem e para mal, é um retrato fiel do heavy/speed metal alemão da época: riffs calcados em Accept (do Restless and Wild e do Balls to the Wall) e Judas Priest (do British Steel e do Screaming for Vengeance); andamentos sem obsessão por seguidas mudanças de tempo no curso da mesma música, com a inclusão, nas partes mais rápidas, de bumbos duplos; melodias vocais simples mas bacanas, com um toque épico em alguns momentos; palhetadas cavalgadas; boas harmonias de guitarras e uma sonoridade mais contida (e não tão thrash) na caixa da bateria. Tudo isso pode ser conferido, por exemplo, na ótima faixa March for Victory (http://www.youtube.com/watch?v=rPsIGsJ-pvM&hd=1).
Não faltam também, em Children of War, aquelas músicas mais rockers, feitas para bater cabeça no show, cantando junto com a banda com um dos braços levantado no ar, caso de Black Sex (http://www.youtube.com/watch?v=n3sQcKxyp7s&hd=1). Muito divertida! O play fecha com a indefectível balada movida a dedilhado. Embora não seja muito fã delas, reconheço que a despretensiosa Days of Sorrow (http://www.youtube.com/watch?v=1u50xceJLUU&hd=1) não é ruim.
Children of War foi, ao mesmo tempo, o disco de estreia e o canto do cisne do Invader. Logo depois a banda acabou. Muito provavelmente em razão da já referida falta de espaço no cenário metal da época.
Para nós, colecionadores devotados, descobrir essas pérolas do passado é gratificante. Principalmente hoje, quando tantas bandas retrô tentam ressuscitar, com mais fracassos do que sucessos, o saudoso espírito libertário dos anos oitenta. Um agradecimento especial fica aqui registrado para a finada No Remorse Records, da Grécia, pela pesquisa minudente que possibilitou o relançamento desse disco. Junto com alemães e japoneses, os gregos são, definitivamente, os maiores arqueólogos da era de ouro do metal.


O pessoal do Invader - no velho e bom espírito oitentista "heavy metal é diversão"

Deixe seu comentário