Necrovorous "Funeral for the Sane"

Publicado em: 16/02/2014 - 13:05

O Embrace of Thorns, da Grécia, já é bem conhecido na cena. Agora, DevilPig, seu baixista/vocalista (aqui no comando das seis cordas), e Nuctemeron Bestial Ravisher, seu baterista, atacam com esse fudido Necrovorous. Fundado em 2005, em Atenas, o Necrovorous já conta com cinco demos, dois splits e um ep. Funeral for the Sane é seu primeiro lp - lançado em 2011 no formato cd pela Pulverised, de Cingapura, e em vinil (com um cover do Death Courier de bônus) pela Blood Harvest, da Suécia. Diferentemente do Embrace of Thorns, que segue a linha death/black e war black, o Necrovorous reza pela cartilha do death metal old school, recolhendo influências tanto da cena americana do fim dos oitenta como da sueca do início dos noventa. É death metal opressivo, dramático, pesado e apocalíptico. Um som sepulcral, que proclama a morte da esperança e a certeza na extinção iminente da humanidade. Vale dizer, um som auspicioso, que só traz boas vibrações para almas e ouvidos degenerados.

Diversamente do que costumo fazer nas resenhas, vou aqui dar uma palinha sobre cada uma das faixas do álbum:

Sanity’s Fall – famosa introdução sinistra de teclado para preparar o clima...

Succubus Dormitory- entra um blast beat com riff superpalhetado e tendendo para o agudo, depois cai para um registro mais baixo, numa veia empolgante totalmente Autopsy e Death dos primórdios; levadas meio-tempo de arrancar a cabeça; uma das melhores do play.

The Flesh That Smiles – outra que recende a death metal americano da velha escola; bases repletas de marcações em mi e fritadas de palheta em corda solta; Master, Massacre e até Bolt Thrower dão sinal de vida; destaque para as ótimas e macabras harmonias de guitarra e para a parte sincopada lá pelo meio da música (feita sob medida para ogro dançar).

The Vilest of All Dreams – começa com um solo limpo e eloquente, secundado por uma base death ranzinza, que logo abre espaço para uma bem sacada harmonia de swedeath; depois mais pancadaria meio-tempo para bater a cabeça sem pensar no amanhã; uns tecladinhos surgem para reforçar o clima dramático.

Deathknells – faixa na manha, cadenciada; passagem d-beat para bicar com o coturno quem estiver pela frente no show; solinho curto bem Suécia da virada dos noventa.

Mind Lacerations – só pode ser uma faixa perdida das gravações do Autopsy no Mental Funeral, arrastada até a metade, quando entra um inusitado par de riffs punks; vocal totalmente Chris Reifert.

Malignant Entrapment – bumbo duplo explodindo na cara; bateria bem acelerada que, num determinado momento, chega ao grind; peso a dar com pau; influência do velho swedeath, lembrou-me até coisas do antigo Grave.

Spawn of Self Abhorrence– entradinha de manual de death sueco: três ou quatro acordes subindo a escala para depois descer pelo mesmo caminho; bateria rápida e nervosa, que descamba para o grind; mais escalinha sueca subindo e descendo hipnoticamente (como esse tipo de construção é foda!); trêmolos criando uma parede de peso e opressão; juntamente com Succubus Dormitory, a minha faixa favorita do play.

Funeral for the Sane – começa bem na linha Massacre do From Beyond; depois um riff mais agudo surge para logo dar lugar a outro mais downtuned, numa levada meio-tempo; faixa bem variada, que termina num ritmo "preso", com riffs curtos e viscerais.

Dwellers of my Flesh – outro solinho de swedeath; guitarras bem dramáticas; baixão superpesado; mais solo na veia Estocolmo; engata-se a sexta marcha e tudo desemboca num grind com palhetadas a mil; harmonia de guitarra sobre uma cáustica base death metal “ran-can-can” encerra o disco.

Embora o play, como já deu para perceber, seja realmente ótimo, faria dois pequenos reparos sobre a produção: as guitarras poderiam ter ficado um pouco mais densas (em alguns momentos, soam, a meus ouvidos, demasiadamente agudas) e, a bateria, com um pouco menos de reverb. Porém isso é mais questão de gosto pessoal. Não chegaria a dizer que são pontos realmente negativos.

Death tradicional feito com extrema competência. Com sinceridade, um disco que simplesmente não dá vontade de parar de ouvir.



Necrovorous - death metal oath!

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