Nuclear Assault + Exciter - Clash Club, São Paulo, 22/08/2015

Publicado em: 25/08/2015 - 00:08

Leather, spikes, bullet belts! Metal oitentista na veia foi o que rolou nesta apresentação do Exciter com o Nuclear Assault. Embora houvesse certa divisão no público, entre a galera realmente die hard – gente vestida com roupa de couro, coleira estilo Cronos, braceletes de rebites e cinturão de balas, isto é, o público do Exciter – e o pessoal de visual mais descontraído – o público do Nuclear –, o show rolou de boa, com uma atmosfera nostálgica que remetia diretamente aos anos 80.




Ao som mecânico da bela introdução Fall Out, do álbum Long Live the Loud, o Exciter subiu ao palco, encarnado no mítico power trio original. Que me desculpe o John Ricci, mas Exciter sem Dan Beehler não é Exciter. Os caras já tinham vindo ao Brasil ano passado, com essa formação, mas não assisti ao show. Há pouco mais de cinco anos, entretanto, tive oportunidade de ver o Dan Beehler aqui em Brasília (antes de o Exciter voltar com a formação original), tocando com sua banda solo. Na ocasião, levaram vários sons antigos. Fiquei impressionado com o Beehler. Sua voz continuava firme, assim como sua marretada certeira na batera. Minha expectativa, então, era mais pelo desempenho do John Ricci e do Allan Johnson. Felizmente, eles seguraram bem a barra. Especialmente o John Ricci, que, aparentemente, esteve mais na ativa nos últimos anos.

Embora um show no qual esse trio fosse despejar clássicos tirados somente de seus primeiros três discos não pudesse ser ruim, a verdade é que o som estava péssimo. Tudo soou extremamente embolado, especialmente os vocais. Em um ou outro momento chegou a agredir os ouvidos. Uma pena, porque, na parte da execução, a banda se mostrou muito competente. Os destaques ficaram por conta da voz inconfundível do Beehler (embora lhe tenha faltado fôlego do meio para o fim) e pela ótima timbragem da guitarra do Ricci, calcada na afinação grave que ele usou no Violence & Force. Aliás, foi justamente nessa faixa que a fúria da massa atingiu seu ponto culminante, com todo mundo se empurrando num mosh pit alucinante, onde a luta era para encontrar um espacinho que fosse pra bater cabeça. Outros momentos altos da apresentação ocorreram em Delivering to the Master, Victims of Sacrifice (riff empolgante!) e Pounding Metal, hino gritado pela galera, no qual Dan Beehler afundou, tomado de raiva especial, a caixa da bateria.

Minha reclamação ficou por conta da ausência da fenomenal Evil Sinner, música que eles tocaram na encore em Curitiba, no dia anterior. Na boa, mesmo com todos os problemas no som, cinquenta minutos foi muito pouco para um show dos lendários canadenses.



O Nuclear Assault subiu ao palco no tempo previsto, pouco mais de meia hora depois. Da formação original só não se fez presente o guitarrista Anthony Bramante. Os caras anunciaram essa turnê como a despedida da banda. Para comemorar o encerramento da carreira vitoriosa, os nova-iorquinos lançaram um último ep, de quatro faixas, duas das quais foram executadas no show. Vamos ser sinceros. Essas novas músicas não são ruins, mas é evidente que a galera queria mesmo era ouvir os clássicos. Como não poderia deixar de ser, muitos deles integraram o setlist. A porradaria thrash começou com Rise from the Ashes. Mas foi com a seguinte, Brainwashed e, principalmente, com o duo de abertura do principal álbum da banda, Handle with Care (a furiosa New Song e a quebra-pescoço Critical Mass, essa última, talvez, a mais icônica da carreira da banda), que o público definitivamente se inflamou. Os indefectíveis momentos hardcore também estiveram presentes, na forma das curtíssimas e divertidas Hang the Pope, My America e Lesbians, tocadas uma emendada na outra, nas quais o gigante Dan Lilker, com voz de ogro, fez dobradinha com o baixinho (e hoje gordito) John Connelly. Outro momento marcante foi quando executaram a sombria Trail of Tears, com suas seguidas quebradas para um dedilhado cheio de feeling.

No show do Nuclear o som esteve melhor do que no do Exciter. Mas ainda assim os caras enfrentaram problemas. Num determinado momento, um dos PAs pifou, paralisando o show por vários minutos. John Connelly, então, mostrou seu lado stand up comedy e passou a contar piadas para a plateia. Num inglês rapidíssimo e cheio de trocadilhos, a verdade é que ninguém entendeu nada. A banda toda esteve bem, mas o destaque óbvio da apresentação foi a performance de Dan Lilker. O cara continua a ser, como há trinta anos, a figura marcante no palco. A maneira como ele escova impiedosamente as cordas de seu baixo chega a dar pena do instrumento.

Duas apresentações muito convincentes, mas a do Exciter, na minha opinião, teve mais carisma.


EXCITER SETLIST:

Stand Up and Fight

Victims of Sacrifice

Iron Dogs

Heavy Metal Maniac

Delivering to the Master

Violence & Force

Long Live the Loud

Pounding Metal

Beyond the Gates of Doom

Rising of the Dead


NUCLEAR ASSAULT SETLIST:

Rise from the Ashes

Brainwashed

New Song

Critical Mass

Game Over

Butt Fuck

Sin

Betrayal

Analogue Man in a Digital World

Died in your Arms

F# (Wake Up)

When Freedom Dies

My America/Hang the Pope/Lesbians

Trail of Tears

Technology

Justice

26/08/2015 - 17:58
Norma.

Boa resenha. Cada vez mais precisa. Admiração sem coleguismo, é isso que os leitores precisam.

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