Pathogen "Forged in the Crucible of Death"

Publicado em: 11/12/2013 - 15:53

Publicado originalmente no blogue themetalnightstalker.blogspot.com.br em 14.04.2013.

Vasculhar o underground em busca de novas bandas nem sempre é tarefa fácil. Muitas vezes o que se descobre são apenas bandas medíocres ou decididamente ruins. Hoje, com o myspace e o youtube, ao menos não se torra mais tanta grana à toa. Há não muito tempo, a coisa era bem diferente. Conhecer novas bandas implicava gastar dinheiro com base, em grande medida, nas dicas (obviamente parciais) disponíveis nos próprios sites das lojas e gravadoras. Eu mesmo já perdi muito tempo e dinheiro nisso, comprando gato por lebre. Por isso é tão prazeiroso descobrir uma banda realmente legal da qual nunca antes se havia ouvido falar. É o caso do Pathogen, das Filipinas.
Forged in the Crucible of Death já é seu terceiro full lenght, mas somente agora tomei conhecimento desses old deathbangers filipinos. Sem embargo, ainda que a banda tenha nascido em 2001, seus integrantes, com toda a certeza, já deviam militar no underground bem antes disso. Porque o que se ouve aqui é um som feito com grande conhecimento de causa, repleto de referências ao que de melhor surgiu no death metal dos anos oitenta. Massacre, Autopsy, Celtic Frost e Death (antigos), Sepultura (do Morbid Visions), Death Strike/Master, Obituary, Necrophagia (do Season of the Dead), quase todas as bandas icônicas dos primórdios do metal da morte parecem ter influenciado o som do Pathogen. E o discípulo faz jus aos mestres.
As composições da banda são absolutamente certeiras: riffs afiados calcados em power-chords e embalados por mudanças precisas de andamento (ora mais cadenciado, ora acelerando para o speed, mas sem nuncar descambar para os blast beats do death noventista); guitarras pesadíssimas e com afinação baixa; solos sujos e alavancados; vocal grave e cavernoso (na linha do Tom Warrior, do Celtic Frost), mas sem tornar-se ininteligível; tudo de acordo com a mais ortodoxa cartilha do death metal old school.
Algum chato elitista poderia dizer que o som do Pathogen carece de originalidade. Verdade. Contudo isso não é, necessariamente, um defeito. Ora, executar com precisão uma fórmula de reconhecido sucesso é também prova de competência. E o Pathogen sabe muito bem como despejar death metal da velha escola sobre o ouvinte.
Todas as faixas do disco são ótimas, mas destaco Thresholds of Pandemonium (https://myspace.com/pathogenonline/music/song/01-thresholds-of-pandemonium.mp3-89011692-98887936?play=1), que inicia com uma levada meio-tempo a la Death Strike/Master, depois engata um speed pesadíssimo ao estilo Death, evolui para uma cadência celticfrostiana de quebrar o pescoço, abre espaço para um solo cheio de sujeira, retoma o meio-tempo, depois o speed (com outro solo caótico), para encerrar com uma parte arrastada e sinistra reminiscente a Necrophagia. Verdadeiramente empolgante!
Uma pequena objeção poderia ser levantada quanto à sonoridade da caixa da bateria, que ficou um pouco "oca". Nada, porém, que macule a qualidade do disco. Em tempos nos quais a velocidade se tornou quase um fetiche sem sentido no cenário do metal extremo, é bom ouvir bandas que resgatam aquilo que o death metal (e o heavy metal em geral) tem como sua verdadeira essência: o peso.


A galera do Pathogen

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