Poisonous "Perdition's Den"

Publicado em: 01/01/2014 - 23:04

Da infernal Bahia vem esse incrível Poisonous. Formado das cinzas do antigo Impetous Rage (banda que deixou um interessante full lenght de lembrança), o Poisonous mostra nesse play, lançado em 2010 pela Genocide Productions, aqui de Brasília, um death metal da velha escola, pesado pra cacete, rápido (mas sem descambar para os blast beats do brutal death metal), sombrio, obsessivamente satânico e de muita qualidade.
A música é estruturada em cima de riffs realmente excelentes. Totalmente voltadas para o peso, as guitarras, cheias de reverb, passam longe de tecnicidades punheteiras ou daquela agressividade forçada tão comum nas bandas mais modernas de death. Um ponto importante a ser ressaltado é que os riffs não são avessos à melodia, o que está longe de significar, entretanto, que sejam “melosos”. Ao contrário, soam absolutamente mórbidos. Trata-se daquele tipo de melodia sinistra e desgraçada que bandas como o Morbid Angel ou o Immolation faziam nos seus primeiros e clássicos discos. Em suma, coisa de quem conhece o que significa o verdadeiro metal da morte.
Aliás, tanto o Morbid Angel das antigas como, principalmente, o Immolation do Dawn of Possession são, a meu juízo, as referências mais óbvias do som do Poisonous. O Sepultura do Morbid Visions, em algumas bases e nos vocais, e o Sarcófago do I.N.R.I., nas levadas de batera, também dizem presente. Ou não se ouve D.D. Crazy na metranca que irrompe no começo da fudida Blasphemy Arises for the Knowledge (http://www.youtube.com/watch?v=kiitwF8ysLk&hd=1)?
Na seção rítmica, o som, repita-se, é normalmente rápido, mas há muitas partes mais cadenciadas e de meio-tempo, que se sucedem com extrema naturalidade. Confira-se, por exemplo, a faixa de abertura, Subterranean Rules (http://www.youtube.com/watch?v=_gXNmeSsxho), em que ocorrem seguidas mudanças de andamento de modo perfeitamente funcional. O main riff dessa mesma música, ademais, ilustra com clareza o que quero dizer com melodias sinistras e desgraçadas. Puta composição!
A produção escolhida, de outro lado, casou bem com o tipo de death metal praticado pelo Poisonous. É densa e abafada, privilegiando os graves, mas mantendo o som a salvo de tornar-se uma maçaroca indiscernível. Gostei muito, em especial, da sonoridade dos bumbos e das caixas de bateria, que soam pesadas e cheias – o avesso da chatíssima sonoridade artificial trigada e oca de muitas bandas atuais.
De bônus foi incluída uma faixa da demo anterior do Poisonous, gravada em 2009. O som nessa demo vai exatamente na mesma linha do debut, havendo a produção mais tosca, no entanto, evidenciado a salutar dívida da banda com a sonoridade do velho Sepultura.
Um play realmente excelente, de uma das bandas mais promissoras do revigorado death metal old school brasileiro.


O trio infernal do Poisonous


Capinha da demo de 2009

02/01/2014 - 17:21
Michael Hellriff

Caos!!!

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